9.11.10

Amanhecer e Lua Nova

Não sei se vocês já perceberam, mas acordar de bem com a vida é uma frase que só cabe naquele dia que você sabe que vai ficar menstruada ou naquele depois do jogo que seu time perdeu pro Tabajara. Claro que isso é tão falso quanto dizer que o Lula tem dez dedos e o Tiririca sabe escrever. É, convenhamos que despertar com um sorriso nos olhos não é para qualquer um. E, principalmente, não para mim.
Após uma incansável noite de sono, abri os olhos e suspirei. Acho que o visinho tinha se esquecido de desligar o despertador e aquele barulho irritante de “PI PI PI PI” ainda estava grunhindo aos meus ouvidos. Ta, tinha que levantar alguma hora, pois que fosse aquela. “Filho da P... como a cama foi parar aí?” Foi aí que eu tive a certeza de que não deveria ter levantado. Fui para a cozinha tomar café e, ta, cadê o café? Ok. Tenho que me lembrar de passar no mercado na volta. Saí sem comer nada.
Abro a porta. Vento, chuva, trovões... Meu Deus! O mundo esta acabando! A não, é o outro visinho que esta tomando banho escutando seu estilo de música progressista preferido, ao menos isso. Desço do prédio, os dois porteiros, 7:00 da manhã tem troca de turno e eles têm uns 10 minutinhos pra ficarem fofocando da vida dos outros.
Ponto de ônibus, vazio como sempre. Silêncio enfim. Chega o ônibus. Subo as escadas e passo meu cartão. PIII. Espero, deu erro. Passo de novo: PIII. “A, desculpa”. PII PII Só o que me faltava era essa, o cobrador ficar cantando a moça de shortinho e esquecer de liberar a minha passagem. É muita falta de profissionalismo mesmo. Lugar, lugar, lugar, achei! Vou sentar e a velha gorda passa a minha frente. Agora me diz, porque velho não senta na frente? Lá ta vazio cara! Só porque agora inventaram o passe idoso eles se sentem mais jovens roubando os nossos lugares no banco de trás? É o fim! Não. Porque eu disse isso? Uééééé!
Criança, choro, birra, mãe desesperada, salgadinho com cheiro de vômito, vômito de verdade, gordo em pé no corredor, mochilas atrapalhando, funk das popozudas tocando alto. PARA TUDO! Eu morri e to no inferno? Txxxxx. A, finalmente parou! Desce do ônibus. Sai correndo porque ta atrasada. Chego no cursinho, sento. “Eu não dormi contigo, bom dia pra você também” “Bom dia é o Ca...” professor entra.
Intervalo, 15 minutos. “O que aconteceu”? “Só não estou pra gracinhas” “Nossa, acordou de mau humor hoje?”. Pois bem, preferi ficar calada. Experimenta passar pelo que eu passei e sair sorrindo rua afora. O difícil realmente não é o acordar, mas sim se manter bem até a noite.
Acaba a aula, vou pra faculdade, sem muitas delongas também não foi um dos melhores dias da minha vida. Vou jantar no RU, o que tem hoje? Camarão! Nossa, finalmente um coisa boa. Chego à reitoria, o que é aquilo? A fila da à volta no laguinho. Ta, desisto, vou pra casa.
Rua, portão, escada, porta, escada, porta, chave, corredor, cama, durmo. 10 horas da noite, acordo. Levanto correndo, abro a janela e, droga! O mercadinho fechou, café só nos sonhos. Olho pro céu e pergunto: Por quê? Ninguém responde, só a lua fica me encarando com aquele jeito de quem acabou de nascer. Um jeito criança, bem inocente. É pelo menos ela não tem humor pra oscilar. Ta, para de viajar, eu nem tomei nada hoje. A é, acho que é isso. Vou dormir.
Por Vanessa de Luca

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