22.7.09

Quando se está sozinho, geralmente está à procura. É difícil o caso onde você vê alguém andando sozinho na rua sem querer ser notado. Entretanto, quando se está acompanhado, a idéia de exposição do companheiro torna-se ainda maior.

Ninguém quer ficar sozinho, fato. Mesmo qualquer freira tem seu apego nas horas vagas. Até mesmo o padre dos balões não gostaria de ficar sozinho. Tanto que ele decidiu se unir às outras almas lá do céu. Então, tenha certeza do que eu falo, o ser humano não foi feito para ser um só. Claramente que não estamos levando em conta aqueles seres de franja que rastejam pelos becos das cidades, afinal, estes não se enquadram na concepção “homo sapiens sapiens”.

Imagine só. Você está para se casar, pronto feito um pingüim diante do altar. Passados exatos 30 minutos, nada. Só o que você vê entrar pela porta da igreja é uma brisa suave. Tudo estava dando certo até que, não há. Não há mais noiva, não há mais casamento, não há mais nada. E o que você faz? Fica puto horas! Depois de oito anos de noivado, pressão familiar fudida, a noiva não aparece. Os convidados todos cochichando, sua mãe suando em bicas, o padre reclamando, pois os convidados da missa das nove estão para chegar e você ali, sem reação.

O que fazer nessa hora?

Eu se fosse você ia atrás da noiva e dava logo um soco na boca daquela vadia, afinal de contas, foi ela quem te pôs nessa enrascada! Você não, queria continuar na maciota, sem ter quer se preocupar com ninguém, só nas noitadas com os amigos. É nisso que dá se apaixonar. Um dia, isso vira amor. E você faz tudo pela outra pessoa. Porém, pelo visto, ela não faria tudo isso por você. Quem que tivesse um pingo de consideração faria um noivo esperar tanto assim? Nem a mais pirua das piruas seria capaz de tanto atraso.

Contudo, os músicos começam a tocar a rotineira marcha nupcial. Um bom sinal. Sinal de que há alguém esperando para entrar na igreja.

Lá está ela. Com todo seu gramú e sutileza. Alta, loira, de cabelos cor de mel e com um suave véu escondendo suas faces.

Quando ao seu lado chega, com aquele doce perfume de flores, retira seu véu e admira sua beleza inconfundível.

Então, casam-se.

Final feliz, não? A não ser pelo simples fato de que ninguém saberia o motivo pela sua demora. Denominado Ricardão.

A meu amigo, veja pelo lado bom. Ninguém nessa vida pode ficar sozinho, e um dia, seu lindo filho moreno cor de jumbo também achará uma companheira!

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